Santander Vê Selic Cair Mais Que o Consenso e Eleição sem Força para Alterar Decisão do BC
Apesar do consenso de mercado — e da sinalização do Banco Central — de que um novo ciclo de corte de juros será inaugurado na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), há divergências sobre até onde a queda da Selic pode ir. A última edição da pesquisa Focus aponta para uma estimativa média de 12,25% para a Selic ao fim de 2026. O Santander Brasil, no entanto, se mostra mais otimista — com uma projeção de 12% para a taxa de juros.
Em entrevista à Forbes Brasil, Marco Antonio Caruso, economista do Santander, aponta que a estimativa mais baixa se deve a uma menor expectativa de inflação para o ano. O economista também vê um cenário político acirrado para as eleições presidenciais, sem uma definição clara de quem será o vencedor e de qual será a política fiscal nos próximos quatro anos.
“Não é papel do BC imaginar o cenário A ou B; ele simplesmente olha os dados e toma sua decisão. Com a perspectiva de uma disputa apertada ao longo de todo o processo, é como se a eleição não fosse tão relevante para a tomada de decisão nesse período”, aponta o economista.
“Depois da eleição, o que eu vejo é o seguinte: ou você tem uma continuidade daquilo que já conhece — e, portanto, não deveria haver grandes novidades — ou você tem uma mudança que precisa ser entendida. Mas, mesmo nessa mudança, o que a gente percebe é que os dois lados, de alguma forma, vão precisar endereçar a questão fiscal. Pode ser mais rápido ou mais devagar, mas ambos terão de enfrentar o fiscal. Eleição é sempre relevante, mas não me parece que se abra um portal para uma grande novidade no pós-eleição”.
Durante a conversa, Caruso também comentou sobre a aparente cautela do BC em cortar os juros. Para o economista, essa prudência é necessária para contrabalançar a mudança na postura fiscal do governo, que se tornou mais expansionista na segunda metade de 2025, na tentativa de acelerar a atividade econômica. Caruso explica que essa dinâmica exige que o BC atue com rigor para evitar um sobreaquecimento da demanda: enquanto o fiscal impulsiona os gastos, a autoridade monetária precisa manter a cautela. É um “cenário complexo” onde a convergência da inflação depende do equilíbrio entre estímulos contraditórios.
Embora a forte queda do dólar frente ao real seja um dos principais fatores de otimismo, o banco espanhol acredita que a moeda brasileira poderia ter se apreciado ainda mais se não fosse o “prêmio Brasil” — e, quem sabe, ter furado o piso de R$ 5. Para o economista, o grande vilão segue sendo o cenário fiscal e uma dívida/PIB cerca de 20 pontos percentuais acima dos pares emergentes.
Confira os destaques da entrevista do economista do Santander à Forbes Brasil. As respostas foram editadas para melhor fluidez, coesão e síntese.
Forbes Brasil – 2025 foi marcado por uma quebra de expectativas muito grande, graças à ajuda do cenário internacional. Qual é o diagnóstico de vocês sobre o período?
Marco Antonio Caruso – Eu resumiria 2025 em três grandes vetores. O primeiro foi o movimento global. A valorização do real se explica quase integralmente pelo enfraquecimento do dólar. Nas nossas estimativas, praticamente 100% do movimento veio do dólar mais fraco, e não de fatores domésticos.
Claro que os juros altos ajudaram. Com a Selic a 15%, o carrego é muito elevado. Ficar comprado em real rende muito, o que torna caro apostar contra a moeda. Mas, quando comparamos o real com moedas pares — Chile, Colômbia, México, África do Sul —, vemos que o Brasil se valorizou menos. Ou seja, surfamos a onda externa, mas com desempenho inferior.
Na nossa conta, se tivéssemos acompanhado o movimento dos pares, o câmbio poderia estar muito mais próximo de R$ 5 — possivelmente até abaixo disso. O fato de não ter acontecido mostra que existe um prêmio Brasil embutido.
O segundo vetor foi a política monetária. A Selic chegou a 15%, o juro real superou 10%, e ainda assim a atividade não colapsou. A inflação fechou o ano em 4,3%, abaixo de previsões que apontavam para algo próximo de 6% no início do período. Não é o centro da meta, mas está dentro da banda.
O terceiro fator foi o fiscal. Na primeira metade do ano houve postura mais austera, que ajudou o Banco Central. Na segunda metade, houve uma inflexão expansionista, que sustentou a atividade. O resultado foi um PIB em torno de 2,2%, desemprego baixo e inflação em queda — mas ao custo de juros muito elevados. Esse custo ainda não apareceu integralmente e tende a se manifestar com mais força em 2026 e 2027.
O que explica o “prêmio Brasil”?
Fiscal. O Brasil cumpre formalmente a meta, mas com muitos abatimentos. É como fazer dieta descontando o chocolate da conta. Você atinge o número, mas continua ingerindo as calorias.
Gastos como precatórios não entram na meta, mas elevam a dívida. A dívida pública continua subindo, mesmo com a meta formalmente cumprida.
Hoje temos uma dívida cerca de 20 pontos percentuais do PIB acima da média dos emergentes, além de juros muito mais altos. Isso exige prêmio maior para investir no país. Enquanto pagamos 15%, o investidor aceita. Mas o desafio permanece.
Nas nossas projeções, a dívida pode se aproximar de 100% do PIB na próxima década. Parece distante, mas o tempo passa rápido. A questão não é se haverá ajuste, mas quando ele volta a ser tema central.
Qual o cenário macroeconômico de vocês para 2026, tendo em vista as mudanças no cenário internacional e as eleições presidenciais?
Temos forças em direções opostas. Do lado monetário, o Banco Central sinaliza início do ciclo de cortes, mas com cautela. A mensagem é de calibragem, não de estímulo. Ele vai reduzir o grau de restrição, mas mantendo juros historicamente elevados.
Do lado fiscal, a postura é expansionista. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil coloca, em média, cerca de R$ 300 permanentes a mais no bolso dessas famílias. Isso é impulso fiscal. O reajuste do salário mínimo também contribui.
Quando somamos tudo, projetamos desaceleração moderada: PIB de 1,5% em 2026, ante algo em torno de 2,2% em 2025. Ainda assim, o mercado de trabalho deve permanecer relativamente apertado.
Em relação à inflação, projetamos 3,7% neste ano. Não é 3%, mas é uma trajetória benigna. Com atividade mais fraca e câmbio relativamente valorizado, a inflação continua cedendo.
Por que vocês acreditam que a Selic pode terminar abaixo do consenso, que é de 12,25%?
Porque nós do Santander temos uma perspectiva de inflação mais baixa e PIB mais fraco do que o consenso. Especialmente na primeira metade do ano, nossas projeções são inferiores às do mercado.
Se estivermos certos nesses dois pontos, há espaço para juros menores. Projetamos início dos cortes em março, reduções de 0,5 ponto percentual por reunião, Selic em 12% no fim de 2026 e 11,5% em 2027.
A economia brasileira caminha para um equilíbrio mais próximo do seu potencial: PIB moderando, inflação cedendo e juros caindo gradualmente.
Mas ainda há uma grande interrogação: quando e como vamos endereçar o endividamento público crescente. Ele não cobra seu preço no curto prazo, mas não é gratuito. Essa continua sendo a principal questão estrutural do país.
As eleições podem alterar esse cenário?
A tendência global é de disputas mais acirradas. Em um cenário apertado, o Banco Central não pode trabalhar com cenário A ou B. Ele decide com base nos dados.
Até a eleição, o impacto tende a ser limitado. Depois, vejo dois caminhos: continuidade do que já conhecemos ou mudança que também exigirá enfrentamento do fiscal. Em qualquer hipótese, o fiscal terá de ser endereçado. Pode variar a velocidade, mas não o diagnóstico.
Eleição em país emergente é sempre relevante, mas não vejo um portal para ruptura estrutural imediata.
E o cenário externo?
Estamos em uma janela positiva. A economia americana segue crescendo acima de 2%, a China mostra sinais de melhora e isso favorece emergentes.
Mas vejo riscos no segundo semestre. O mercado ainda precifica dois cortes de juros nos Estados Unidos este ano. Aqui no Santander, acreditamos que o Federal Reserve pode não cortar. Se estivermos certos, isso significa juros mais altos por mais tempo e dólar mais forte.
Além disso, há o fator político americano. Se a agenda pró-crescimento voltar ao centro, isso também pode fortalecer o dólar.
Projetamos câmbio médio de R$ 5,40 em 2026, mas encerrando o ano a R$ 5,90. Isso indica um segundo semestre mais desafiador. Parte importante desse movimento viria justamente da virada dos ventos externos.
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